Texto originalmente publicado, no Muza, em novembro de 2012. | Fotos: Desconhecida e Sasha Marini por Michele Ercolani

Vou começar indicando uma leitura complementar. O texto é de Eliane Brum (Quero escrever assim quando crescer). “Enfim, a emancipação masculina”.

Assim como Eliane, já questionei o que é ser homem e essa nossa busca infindável por uma masculinidade ideal. Mas a questão da liberdade masculina vai um pouco além da sexualidade e do gênero, ainda que todos os conceitos sejam baseados, ou tenham no mínimo uma ligação, com o binarismo de gênero e o machismo proveniente do mesmo. 

O homem de verdade não chora, essa é uma das primeiras coisas que todos os seres que nascem com pênis aprendem. Também tem que homem é forte, cuida da mulher... Toda a construção de um homem ideal, seja ele cavalheiro ou troglodita, que no fim das contas nenhum ser humano é capaz de ser. Foram criadas barreiras e limitações, e os homens ainda não se rebelaram.

Nem prestamos tanta atenção a esse fato, e para algumas pessoas é estranho falar em uma revolução masculina. É estranho por um simples motivo, a revolução feminina buscou direitos de votar, estudar, trabalhar. Mas não podemos esquecer que as mulheres também começaram a usar calças, ter cabelo curto, usar terninhos. Pode parecer supérfluo, mas não é. 

Antes uma mulher usar calça era algo abominável, hoje é normal. Ainda é considerado anormal um homem usar saia, maquiagem, salto... Existem diversos exemplos que não nos deixam mentir. Laerte, que Eliane também cita, é um deles. 

Hoje os homens que tem coragem de ousar no corte de cabelo, na roupa, usar maquiagem, são por muitas vezes vítimas de preconceito.  Chegou-se ao cúmulo do ridículo de se criar o termo metrossexual. Um termo que não faz o menor sentido. Ele designa homens heterossexuais que gostam de se cuidar, pois parte-se do princípio que tais cuidados são restritos aos LGBTT e o homem padrão tem o mínimo de cuidado e interesse, e se limita a cuidar de seus ternos, barba e um cabelo curto. 

A questão, para muitos superficial, resulta em agressões verbais e físicas. Pois os conceitos que regem o homem padrão também excluem aqueles que fogem do mesmo. Homem padrão não é apenas padrão, é superior, é o certo. 

Já passou da hora de homens terem liberdade de escolha na hora de se vestir, maquiar, cortar o cabelo. Já passou da hora homens poderem se interessar por quaisquer assuntos. Já passou da hora de nos libertarmos desses conceitos machistas. E isso implica em libertar os próprios homens. 

A ideia de que o machismo só é prejudicial para os outros, e benéfico para o seus machos alpha, é pura ilusão. Esses machos, feras viris, estão presos dentro de uma jaula minúscula e sequer percebem. São feras acanhadas e desorientadas. Estão presos e acorrentados pelos conceitos que acreditam fazer deles o que são, Homens com H maiúsculo.