Texto originalmente publicado, no Muza, em agosto de 2012. 

Duas semanas atrás nós conversamos sobre o que é ser homem. Essa semana iremos dar continuação ao assunto. A inspiração para este texto foi o trabalho Men-Ups! do fotografo Rion Sabean, é dele a imagem que ilustra o post. O trabalho é do ano passado e alguns de você já podem ter visto.

Com muito bom humor o fotografo traz várias questões à tona, como os estereótipos de gênero, a figura da mulher em editoriais de moda. Vale conferir o portfólio dele, onde existem trabalhos como “Death of American Homossexual”, “Make Me Over” e “Forever Changed”. 

Fotos divertidas, bem feitas e com críticas fantásticas. O nome “Men-Ups!" pode ser associado a frase americana “Man Up!” (o nosso “Vira homem”) e as Pin-Ups. 

Para quem sabe inglês, segue a explicação do próprio fotografo. E para quem não sabe, segue uma passagem de destaque:

 “O gênero não nasce naturalmente como a sociedade implica. Não é preto e branco. Não é feminino vs masculino. Humanos não podem ser tão rigidamente definidos, pois estas definições são construídas em implicações antiquadas e sem fundamentos. Eu acredito que pensar e fazer perguntas (se elas podem ser completamente respondidas ou não) constrói uma mente mais aberta, e pensamento mais livre,  o que pode permitir um entendimento inalterado da complexidade dos seres humanos.”

Primeiro, me desculpem pela última frase, não consegui traduzir exatamente o que ele disse. Enfim... Apenas reforçando o que já havia dito no texto “Vira homem”, ainda existe uma constante exigência de um masculino e feminino predeterminados por sabe-se lá quem, e sabe-se lá com que autoridade. Como disse Rion, estas definições não são naturais a nossa existência, não são fixas, nós é que as reforçamos e obedecemos. 

O homem e a mulher de nossa sociedade não são instintos humanos, são regras criadas, não oficializadas, mas legitimadas por muitos de nós. Cabe a ninguém mais, ninguém menos, que a nós mesmos mudar tais regras e imposições.

“(...) Eu espero que o espectador questione suas respostas, se perguntem porque tem a reação que tem, e associem esses sentimentos com um entendimento da lavagem cerebral da sociedade.”

Assim como Rion, espero que vocês se questionem cada vez mais e que cada palavra que divulgo aqui inicie uma reflexão. Concordando, discordando, complementando, contra argumentando.