Texto originalmente publicado, no Muza, em agosto de 2012.

Como já sabem, Xô-elma mandou um fã gay “virar homem”. Mas eu não estou aqui pra falar deste fato. Quero saber o que é ser homem! Já me disseram várias coisas, nunca chegam em um consenso.  Talvez isso seja a prova da falta de senso nisso tudo. Não é segredo algum que vivemos em uma sociedade machista e preconceituosa. Homofobia tá aí e já chega em forma lâmpada fluorescente. Mas esse machismo todo? E o culto ao macho troglodita? 

“Ser homem” se tornou um estado de superioridade. A masculinidade é, praticamente, a qualidade absoluta. Feminilidade, em qualquer forma, é símbolo de fraqueza.  Um homem, propriamente dito, tem seu pinto no pedestal, “come buceta” e se impõe com seus músculos... Apesar da variedade de conceitos, esses três quesitos costumam ser os mais recorrentes. 

O tal “vira homem” é uma expressão comum, e expressa descaradamente o quão machista ainda somos. Homem é bom, mulher é ruim. Homem é 1, mulher é zero. Bem assim, binário e desigual. 

Num mundo que se mostra cada vez mais diverso, com diferentes identidades, sexualidades, corpos, culturas... Ainda buscamos um padrão de comportamento e papéis sociais pré-determinados. Um homem que faz o que um homem deve fazer, uma mulher que faz o que uma mulher deve fazer. 

O gay passivo é a bixinha, a mulher da relação. “Pode ser gay, mas que não dê o cu”. Mesmo que seja um preconceito “menor”, o feminino ainda é desprezado. 

Existe, ainda, um culto a uma masculinidade ilusória. Um conceito de macho alfa que engessa e emburrece. Me chamem de exagerada, mas vejo o machismo como uma das grandes bases da homofobia. “Homem de verdade gosta de mulher”, então que apanhem os gays. Lésbicas são fantasias sexuais desses homens, são objetificadas. Travestis e transexuais são aberrações, ou tentam se tornar femininas (as ditas frágeis) ou tentam se tornar “homens falsos”. O machismo é um desculpa inventada por homens fracos que não aguentaram presenciar a força das mulheres. Infelizmente esse pensamento se espalhou e ajudou a fundamentar vários outros preconceitos. 

A hombridade, palavra feminina, diz respeito à dignidade, caráter. Por mais que tentemos acreditar no contrário, um homem de verdade, ou uma mulher de verdade, não são definidos por suas relações sexuais, seus corpos, seus genitais. Mas um ser humano de verdade é definido por suas ações.