Não quero mesmo.

Tolerância é algo recorrente nos discursos de militância e afins. Mas tolerar é aceitar algo que não agrada. É conviver, apesar de repudiar.

Eu tolero o calor infernal, mas não gosto dele. Tolero chatices de amigos para lá de bêbados, mas me irrito. Tolero o trânsito horrível, mas o detesto. Não quero ser tolerado, quero ser respeitado. Ninguém tem a liberdade de gostar, ou não, da sexualidade, identidade de gênero, cor da pele, de ninguém.

Tolerar é manter vivo o preconceito, coberto por uma certa aceitação. Permitir algo, mesmo que o julgue errado. Se conformar, conviver com algo que incomoda.

Pode parecer que estou exigindo demais, que quero um tratamento especial. Mas não é o caso. Ninguém tolera, ou aceita, heterossexuais. Especialmente homens brancos e heterossexuais. Eles não são tolerados, nem aceitos. Eles simplesmente são. Não existe um pensamento de aceitar, tolerar, ou não. Apenas se respeita a heterossexualidade, a masculinidade e a pele branca. E ninguém precisa discutir isso, é natural.

É isso que estou pedindo. A ausência da necessidade de aceitar, tolerar, pedir por respeito. Quero apenas ser respeito, com a mesma naturalidade.

Pequenas coisas, como a escolha de palavras, fazem toda a diferença. É importante prestar atenção nos detalhes. Tolerar e respeitar são completamente diferentes.

Respeitado, quero ser respeitado. Assim como todo ser humano deveria ser.