Texto originalmente publicado, no Nada Errado e DQOGG, em Janeiro de 2013. | Foto por: George Santoni

O Intersexo é, possivelmente, uma das questões mais polêmicas quando se fala de diversidade. A intersexualidade é mais conhecida como hermafroditismo.

O termo hermafrodita se refere apenas as aparência dos órgão sexuais, já intersexo leva em consideração os órgãos sexuais, aparência física e identificação de gênero.

Existem as cirurgias genitais para que se “adeque” o corpo a um dos padrões binários. Tais cirurgias, realizadas em crianças, podem trazer prejuízos com relação ao funcionamento dos órgãos sexuais no futuro.

Muitas pessoas intersexuais não se sentiam confortáveis com a decisão feita pelos médicos quando eram crianças, pedindo, então, uma segunda cirurgia de readequação genital. As Nações Unidas, através dos Princípios de Yogyakarta, declararam que nenhum procedimento irreversível deve ser feito no corpo de uma criança com fins de impor identidade de gênero.

Muitas pessoas optam por manter o aparelho sexual, assim como outros optam por cirurgias de readequação genital. Da mesma forma que alguns se denominam intersexuais e outros não.

A intersexualidade é, ao mesmo tempo, uma identidade e uma identificação do conjunto físico e mental. Sendo assim, é necessário que se espere o amadurecimento do indivíduo, dando a ele o poder de decisão com relação ao seu corpo.

A produção hormonal, assim como funções sexuais, varia de pessoa para pessoa, tornando cada caso de intersexualidade único. As chances de um crescimento saudável são muito maiores em um indivíduo intersexual caso ele não passe por cirurgias durante a infância. O desenvolvimento psicológico depende de como estes indivíduos aprendem a lidar com o próprio corpo. O padrão binário pode ser um problema e, por isso, intersexuais devem aprender desde pequenos que tal padrão não é sinônimo de certo, e não se encaixar nele é sinônimo de errado.

Ajudar crianças intersexuais a crescerem aceitando sua diferença e mostrar o quão diverso o mundo é, isso sim, é a “cura” para os problemas que elas enfrentam.

A intersexualidade é apenas mais uma, das diversas, variações de sexo e gênero. Tão natural quanto todas as outras.