texto por: Guilherme Bayara | Imagens por: We ♥ it , Warner , deviantART

Rainbow_Bar

Anteriormente eu havia lhes servido um Rainbow Drink, mas achei que seria interessante leva-los para conhecer o mundo por trás do Rainbow Bar. Esta, talvez seja, a primeira de muitas visitas a este mundo colorido, a primeira visita a abalar estruturas.

Mais uma dose ácida para a coleção. Continuando a discussão do texto Rainbow Drink, que rapidamente se tornou o maior sucesso do Blog e mantém o titulo até hoje.** Iremos mais adentro do assunto neste post, literalmente.

Para quem não leu – primeiramente, recomendo a leitura – o texto trata sobre homofobia, mas de maneira diferente. Focando não no preconceito em si, mas sim no respeito, no amor, no fator humano. 

Rainboe_bar_roof

Este texto seguirá a mesma linha, apenas com um foco um pouco diferenciado. Desta vez tratarei do preconceito existente dentro da comunidade LGBT. A inspiração para tal texto, foi o episodio Gay Kingdom do “The Tyra Banks Show” *(link da parte 1) No qual foi abordada a visão que os membros da comunidade tem um dos outros.

*demais links no fim do post.

Logo no começo, Tyra anuncia que recebeu uma homenagem, por mostrar em seu programa uma imagem positiva da comunidade Gay. Parabéns para ela! ^^

gay_kingdom

Fiquei impressionado com a veracidade do que foi retratado, e sensibilizado como membro, com orgulho, da comunidade. Tyra levou ao show, 7 convidados, sendo eles:

1. Mike – Homem gay “masculino”

2. Sasha – Transsexual

3. Sam – Mulher lésbica “masculina”

4. Hedda lecttuce – Drag Queen

5. Michael – Homem Gay “afeminado”

6. Jasen – Homem Bissexual

7. Kayden – Mulher lésbica “feminina”

em_estado_de_choque

Durante as apresentações, cada participante se declarou “no topo da comunidade” e apresentou um argumento justificando sua suposta superioridade. E ainda falaram que eles achavam estar no fundo. O que me incomodou bastante, afinal nossa luta é pela igualdade, e isso mostra exatamente o contrário. De cara, logo no inicio, levei um choque.

Na 1ª parte do programa, todos foram colocados em um reino, onde deveriam organizar a sociedade. A distribuição dos papeis seguiu os padrões “heterossexuais”, o gay masculino como rei, a lésbica feminina como rainha, a Drag Queen como bobo da corte, a lésbica masculina como vilã, o gay feminino como cozinheiro, o bissexual como o indigente, e a Transsexual como concubina. Eu achei, assim como Tyra, que fariam algo inusitado, já que aquele era um grupo “diferente” de pessoas, mas o que fizeram foi algo completamente monótono e preconceituoso.

Durante a divisão, vários argumentos preconceituosos e absurdos foram proferidos, como dizer que a Drag Queen e o Gay afeminados “são uma vergonha para a comunidade”, pois ambos “reforçavam estereótipos” e de que o bissexual “estava confuso. Ainda não tinha definido sua sexualidade”. Foi ai que levei mais um choque, além de não acreditar no que estava ouvindo, não acreditei que estava saindo da boca de quem estava. Só tenho a dizer que isso me entristeceu...

Agora uma visão geral das escolhas e alguns dos argumentos utilizados.

Mike como rei – “Ele é o que mais se assemelha a figura de um homem”. Eu achei essa uma declaração ridícula. Só pelo fato de que ele era o mais “viril” no grupo, deveria se tornar rei? E pra falar a verdade, a Sam é bem mais viril.

Kayden como rainha - a mesma historia, ela se parecia com as rainhas clássicas com que nos acostumamos. Resumindo, parecia uma mulher hetero.

Sam como vilã – Foi simplesmente uma escolha de Hedda, da qual ninguém discordou.

Michael como cozinheiro – “Você é a coisa mais feminina aqui” Sem comentários.

Jasen como indigente – “Você não deveria ser parte da comunidade” Novamente, sem comentários.

Sasha como concubina – “Para mim, você é a mais sexy aqui” e “Ela é uma vadia” baseando-se no estereótipo de Transexual = prostituta.

Uma declaração que me chamou atenção foi de Sam, “Eu tenho que ter muita força para ser quem sou 100%, todos os dias”. Um exemplo, pois por mais complicado que possa ser, ela continua verdadeira todos os dias.

Outra declaração maravilhosa e muito aplaudida foi a de Sasha, ao dizer por que havia ficado magoada por ser a concubina. “Durante anos as pessoas, sempre, sempre dizem: Elas devem ser prostitutas. Bem, eu estou aqui para tomar uma posição e dizer: Nem todas nós!” Essa frase para mim marcou o momento de quebra de estereótipo do programa. E Sasha também disse que, mais do que transsexual, ela é uma mulher hetero. E ainda acrescenta que possui namorado e que ele sabe que ela já foi homem, mas a ama do jeito que ela é. O que para mim está corretíssimo, afinal de contas, ela fez a cirurgia foi para se tornar uma mulher.

Rainbow_cake
sexuality_is_mot_a_choice

O que foi mostrado é parte da realidade da comunidade LGBT. Há, sim, certos preconceitos dentro da comunidade. Tyra ressaltou diversas vezes que ela estava chocada com o comportamento de alguns deles. Um argumento usado pelo Bissexual em sua defesa, me marcou fortemente: “Eu fiquei chocado. Achei que pessoas que sofrem por falta de compreensão, seriam capazes de me compreender. Vivemos o mesmo problema, mas eles não se demonstraram capazes de me compreender.(...) As pessoas que não me entendem, apontam dedos para mim e me julgam, do mesmo jeito que heteros que não entendem por que você é gay(falando com um dos participantes) ou você lésbica(com outra participante). Eles apenas não entendem.” Faço das palavras dele, as minhas. E não apenas se aplicando a bissexuais, aplicando a todos os seres humanos, pessoas que sofrem com preconceito, com a intolerância a diferença, deveriam ser capazes de aceitar e compreender melhor a diferença do outro. Outro argumento utilizados pelos outros para atacar o bissexual foi: “Você tem que escolher um lado!”, até onde sei ninguém escolheu sua sexualidade, e esse pensamento é um dos maiores problemas para todos nós, pois muito pensam que isso é realmente uma ESCOLHA e NÃO É! Acho que todos já deveriam ter isso como o fato que é. Em um dos comentários nos vídeos eu li o seguinte: “Um pessoa confusa não sabe de que gosta. O bissexual sabe do que ele gosta, homens e mulheres. É difícil de entender?”

As citações que mais me incomodaram foram as do gay masculino e da lésbica feminina. A lésbica se dizia uma “lésbica hetero”, por parecer uma mulher hetero e poder seduzir homens, e as declarações do gay masculino ao dizer que todos deveria utilizar roupas apropriadas ao gênero, e que a Drag Queen era uma piada para a comunidade. Acho que as declarações falam por si só.

Não tinha planejado focar tanto no vídeo, mas foram tantas coisas das quais gostaria de falar, e ainda deixei algumas para trás. Como, por exemplo, a escolha das leis e a exclusão de um dos membros. Por isso recomendo que assistam aos vídeos.

come_together

Agora falando de forma geral, achei que o programa mostrou de forma clara os preconceitos existentes para com a comunidade LGBT. Apesar de o programa mostrar que os preconceitos existem dentro da comunidade, o que foi realmente mostrado, foi a existência do preconceito dentro TAMBÉM. Pois o que foi falado pode sair da boca de qualquer pessoa, independentemente da sexualidade.

Estamos todos em busca de compreensão, de respeito e igualdade. Como podemos reivindicar isso, se “nós” mesmos não praticamos?

Links (Vídeos em inglês sem legenda, o Youtube possui um sistema de tradução automática – não muito boa)

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5