Texto: Guilherme Bayara | Imagem: Gizmodo

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Minhas palavras...

Meu lápis no papel, riscando, tentando...

Criando ondulações...

As ondulações criadas pelo movimento do meu lápis parecem desaparecer no papel...

É como...

É como se a fluidez com que costumo escrever, tivesse enfim, afogado as folhas...

Como se, por fim, tivesse afogado os papeis com as cascatas de palavras que, sob eles, uma vez despejei...

E agora, quando tento desenhar um ponto de escoamento, as linhas não conseguem, da ponta de meu lápis, sair...

Está tudo perdido em meio à maré. O lápis, as linhas...

O lápis, na tentativa de alcançar o papel, gera mais ondulações...

Ondulações voláteis, mutantes e perecíveis...

Morrem antes de transmitir a mensagem, se afogam em seu mundinho particular, gritam por entre as águas onde, uma vez, outras palavras tentaram se eternizar, e falharam assim se tornando parte da maré...

Tenho que drenar o que as cascatas de ideias, que despejei, inundaram...

Só assim novas ideias poderão eternizar-se...