Texto: Guilherme Bayara | Imagem: We ♥ it (We heart it)

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Eu estou morrendo. Pouco a pouco. Sinto meu corpo necrosando...

Pedaço a pedaço, eu me desfaço. Posso sentir as rachaduras se espalhando por minha pele. O som do trincar de minha derme perfura meus tímpanos.

Já se abrem.

Já se abrem as feridas, posso vê-las. São feridas grandes, superficiais e secas. Sim, secas. O sangue, que antes escorria por dentro, secou. Meu coração a muito parou, como uma bomba, segundos antes de explodir, tendo seu fio vermelho cortado.

Meu coração pode ter parado, mas ainda vive. Ainda te ama. Parou para amenizar a dor de bombear meu sangue venenoso por entre minhas feridas e meu corpo desfalecente.

Meu coração ainda vive. Sou eu quem está morrendo. Sou eu quem está se quebrando...

Eu, em movimento, me quebro cada vez mais. Meus gestos desordenado, descoordenados, aumentam minhas feridas, mas ainda sim continuo a me mover, me mover em busca de você.

Meu coração está parado, não por covardia, mas por proteção, para manter vivo meu amor por você.

Sei que quando me encontrar em teus braços, irei me recuperar.

As batidas do teu coração guiarão o meu em seu retorno. Aos poucos ele reaprenderá a bater, meu sangue ressurgirá e se espalhará pelo meu corpo, curando-o. As feridas secas aos poucos se fecharão. Meus pedaços se juntarão.

Eu me juntarei, me juntarei a ti. Novamente.

Só espero aguentar até esse dia.

Aguentarei...