Texto: Guilherme Bayara | Imagem: We Heart It

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Procurando algum equilíbrio...

Tentando encontrar a paz...

Já me livrei do que não me importa,

E me cobri com minhas memórias...

Em meio a todo o fogo cruzado, as palavras, acusações, xingamentos, expressões, tiros, granadas, minas, bombas... em meio ao silêncio. Em meio ao mundo eu me perdi, não sabia onde estava, não reconhecia minha família, estranhava minha face.

Acho que esse foi início da minha demência, o início da demência mundial. É, mundial. Pois quando ficamos dementes, achamos que dementes são os outros. Dementemente transferimos nossa demência ao mundo, afinal, assumi-la seria loucura.

Tento esquecer isso tudo, esquecer daquilo que não esqueci naturalmente. Agora estou aqui, isolado, sozinho, nu, pensativo... vulnerável. Sob minha pele estão apenas minhas memórias, brilhando, procurando acender alguma chama em minha mente. Coreografo, medito, salto, me jogo, me deito, me arrasto, faço do meu corpo meu instrumento, mas minha mente não reage.

Como posso ter espalhado minhas memórias sob meu corpo e ainda sim elas estarem esquecidas? Como? Alguém, por favor, me diga!

Vejo seu brilho, mas não vejo o que são. Os reflexos ofuscam meus olhos. Elas são muito pequenas e a luz que vem lá de fora é muito para elas, não me permite ver claramente. Afasto-me desta maldita luz que me atrapalha, mas ai, não vejo mais nada... Procuro balancear a luz e a escuridão, para ver minhas memórias com clareza. O esforço é inútil, nada vejo.

Decido olhar lá fora, de onde a luz vem. Maravilho-me, tudo parece tão claro agora!

Esse tempo todo, minha demência, fui apenas eu, me fechando, me recusando e não enxergando...

Agora vejo tudo claramente, minhas memórias, minhas vitórias, meu passado, meu presente e a possiblidade de um futuro...

Tudo ficou mais claro, quando sai de minha mente escura e encarei o mundo, quando abri os olhos, quando tive coragem de olhar para fora...