Texto: Guilherme Bayara | Imagem: We heart it

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Você encara a bomba em suas mãos...

Prestes a explodir...

O pavio vai sendo consumido...

É impossível se livrar da bomba, ela faz parte de você.

Cada milímetro que se queima é como uma chama de memória em sua cabeça.

Lembra-se de tudo que fez, tudo que disse, tudo que queria.

Reflete sobre sua vida...

O pavio continua a ser consumido...

Lembra-se do primeiro beijo, do primeiro amor. De como amou pouco...

Faltam poucos segundos e você continua parado com a bomba na mão...

Continua imóvel, apenas pensando...

As faíscas se aproximam da bomba, faltam milésimos de segundo.

Relembra a sua infância, seus erros...

Como sentiu orgulho de si...

Como já se envergonhou...

Aproveita este pouco tempo e pede desculpa, se declara, fala o que não falou...

Encolhe as palavras e estica o tempo, para que tudo caiba nessa pequena fração.

Continua freneticamente, pressionado pelo pavio a se queimar...

Pronto.

Usou tanto tempo, que acabou não se preparando para o que vinha depois, para o impacto.

Agora é tarde.

...talvez não... talvez...