Texto: Guilherme Bayara | Imagem: We heart it

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É manhã de primavera, chove discretamente e o Sol se esconde envergonhado, por detrás das nuvens. As belas flores parecem ter menos cores. O mundo fica mais silencioso. Tudo parece mais triste, mais respeitoso. Todos mostram suas condolências aos pobres finados.

Acordei de madrugada, o telefone tocava, desliguei quando vi que não era você. Não me importava quem fosse, não era tão importante. Voltei a dormir, afundei minha cara no travesseiro, me revirei na cama inquieto, o edredom parecia um polvo com mil tentáculos, minha visão era turva, de olhos fechados ou abertos, não fazia diferença. Acordei mais desperto nesta manhã, foi necessária apenas uma xícara de chá quente para me acordar, o usual banho matinal não se fez necessário, mas o tomei mesmo assim, só para não perder o hábito.

Abri a cortina e então vi a chuva, o céu cinzento, fechei-a imediatamente, não precisava de mais tristeza. Mas aqui dentro de casa as coisas parecem estar mais cinzentas também, deve ser meu humor.

Dou bom dia a todos e comento como o dia está cinzento, minha mãe me responde serenamente: “É dia de finados”, eu dou um suspiro desinteressado e resmungo “É a nossa celebração”, ela me pergunta “O que?”, respondo que não é nada e volto para meu quarto.

Olho-me no espelho e vejo puro torpor em minha face, mas meu coração bate com dor, quando ele bate. Começo a pensar “É dia de finados... Nosso dia. Mas é o dia do nosso amor, ou apenas de nossos corações? Hoje eu realmente não sei! Que isso Guilherme? O amor não morreu, apenas vocês dois, ESTÚPIDOS”. Olho novamente para minha cara entorpecida, afasto este pensamento e abro o laptop. Confiro novos comentários no Blog, respondo alguns, fico com preguiça de responder a todos “Tenho que largar essa preguiça!”, leio os blogs de costume, assisto alguns vídeos novos dos meus canais favoritos do Youtube, reviso a matéria de matemática... Mas em minha mente só há a sua imagem.

Então eu decido escrever um texto, isso sempre me ajudou. Abri o Word e comecei a digitar estas palavras, ainda estou com a face entorpecida, com o coração dolorido e com sua imagem em minha mente. As palavras continuam a fluir, ininterruptas, mas nada de sentimento, nada me ajuda. Talvez hoje seja o nosso dia, um dia que nos mostre o quão triste foi nosso fim, o quão parado, entorpecido, sofrido ele é. É um sofrimento negro, disfarçado pelo cinza e colorido de vermelho.

Mas eu espero que assim como acontece com o dia de finados, aconteça conosco. Pois por mais cinza que seja este dia, o Sol sempre aparece no dia seguinte, devolvendo a alegria. Espero ansioso pelo fim do nosso dia de finados, estou aguardando os nossos dias ensolarados.