Texto: Guilherme Bayara | Imagem: Rich Anderson on Flickr

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Todo começo tem seu fim, logo nos vem o meio para preencher e memória, em seguida chega o final. Depois de um fim sempre há um novo começo, na maioria das vezes os dois se misturam, não conseguimos dizer a diferença.

Um troca, uma renovação, uma vida deve se acabar para que outra comece. Parece mórbido e triste quando falamos assim, mas este é o curso natural da vida. Trocas devem ser feitas, tudo deve ser renovado. Devemos nos recriar, vencer etapas, evoluir.

Durante a vida muito se troca, muito morre e muito nasce. Temos milhares de fins, meios e começos. Milhares de segundos misturados gravados na memória, coisas que já acabaram, amizades que duraram, amores que se esvaem, paixões que marcam, brigas inúteis, lágrimas fundamentais, filmes, livros, danças, festas, vinhos, chocolates.

São caminhos se cruzando, andando em círculos, espirais. De volta em volta se anda, cheio de fins e começos, resgatando o passando e desenhando o futuro, as curvas se cruzam e se distanciam. Desobedecendo as ordem do começo da escola - “Começo, meio e fim!” – nós misturamos os parágrafos, mixamos as palavras, esprememos as experiências. Andamos em frente, mas jamais em uma linha reta, repleta de pontos exatos. Os pontos são espalhados e as linhas são tortas. Não conseguimos dizer a diferença, sabemos apenas que tudo é fundamental.

Todo começo encontra seu fim, mas os fins também encontram os começos. Eles se misturam, o marco do fim é também o marco de um novo começo.

Existe apenas um fim definitivo, a morte. E até esse, talvez consiga encontrar um novo começo. Afinal, ainda não provamos o contrário.