Texto: Guilherme Bayara | Imagem: We heart it

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Tenho muitas facetas, e todas tenho orgulho. Algumas mais do que outras.

Sei que nem todos estão prontos, ou mesmo devem, encarar tais facetas. Algumas eu guardo, orgulhosamente, só para mim.

Não me escondo, não finjo ser quem não sou, posso até fingir sentir o que não sinto, mas apenas para mascarar a dor. Tenho orgulho de saber a quem confessar minhas emoções. Me orgulho, das minhas fortes emoções.

Meu sangue, pulsante, quente, envolvente. Me orgulho dele. Um liquido atraente, preso dentro de um corpo aparentemente inofensivo. As surpresas que guardo, me trazem orgulho.

Não me arrependo de nada que tenha feito, ou deixado de fazer. Só não tenho orgulho nenhum, então prefiro esquecer.

Não me orgulho de ter tanto orgulho, pois sei que no meio de um mergulho eu posso parar de respirar, posso me afogar. Sim, eu disse que tenho orgulho de todas as minhas facetas, e isso é verdade, nenhum dos fatos dos quais não me orgulho formam facetas, são apenas fatos.

Provavelmente terei orgulho deste texto prepotente e repetitivo. Mas é que meus textos são o retrato de minhas facetas. Leia-me, conheça-me.

Sou ativista e luto pelos meus direitos, assim como pelos daquele que não podem lutar, sou integro, sou sensível, sou escroto, sou educado, sou informado, curioso, preguiçoso, investigador, conformado, pervertido e puro. Sou muitas coisas, muitas palavras, muitas letras, muitas frases. Sou textos, músicas, quadros. Sou sangue, tecidos, ossos, órgãos, pensamento e emoção. Sou um conjunto, que procuro dosar corretamente, para obter um resultado digno de orgulho. Sou humano, sou gay, sou feliz, tenho família, amigos, compaixão, me importo com o planeta.

Sou poesia, sou escrita, sou o que coloco no papel, no rosto, nos olhos, no seu corpo, na tua mente. A paixão que passo a teus lábios, sou confissão, sou amor, sou mais do que você vê, pensa ou ouve, até mais do que quando me lê. Sou complexo, você também é.

Sou uma vírgula ao vento, um ponto final no quintal, uma exclamação na varanda, reticências na vida...

Sou mais do que posso me descrever.

Me orgulho de ser múltiplo e infinito.

Me orgulho de ser quem sou, por, simplesmente, terme dado motivos para tal.