Texto: Guilherme Bayara | Imagem: Nany Photography

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É hora de mudar, dar um passo a frente, sorrir e ver tudo explodir. Beije quem você ama, esqueça quem você odeia. Tudo foi passado, tudo é presente, tudo será futuro.

Os últimos segundos se esticam no relógio, as vozes somem aos poucos, os movimentos perdem a velocidade, o coração dispara, o coro se reúne, o mundo explode em champanhe. Tudo branco, tudo claro, tudo feliz. Chegou, enfim acabou.

Chega o primeiro dia, reza a lenda que ele dita o ano. Um movimento eternizado, uma ação gravada, o botão de replay foi acionado, como se tudo fosse cravado em pedra, estático, esperando que os 31.536.000 segundos se passem novamente, para que outro dia determinante chegue... Seria isso um destino programável? 12 meses, 52 semanas, 365 dias, tudo resumido e definido em um dia?

Eu lhe pergunto, o que fará hoje? Apenas hoje. Um dia qualquer, um pouco lerdo, pelo menos para mim. Farei o que me der vontade. E o que fará amanhã? O que me der vontade. E quando as férias acabarem? O que tiver de fazer. Um dia após o outro, com tantas semelhanças quanto eu permitir. Nada programável, nada cravado em pedra, uma vida sem curso, seguindo a maré, indo até onde os ventos levarem, guiada pelas minhas mãos. 31.536.000 segundos definidos por ímpeto, bem pensados, largados, dormindo, nenhum se repete, nenhum se assemelha.

Então eu lhe pergunto, o que fará hoje?