Texto: Guilherme Bayara | Imagem: neverendingdawn Edição: Guilherme Bayara

Phone_Call_by_neverendingdawn

Quieto, sem nada para fazer, sem nada pra ler. O telefone toca, atendi sem ver quem era. “Alô?”

“Oi amor.” O som da sua voz doce foi o suficiente pra levantar meu ânimo. Meu coração batia quente novamente.

“Oi” Respondi desconcertadamente.

Fazia tempo que não nos falávamos, e eu sentia falta. Meu corpo sentia falta, minha mente sentia falta, meu coração sentia saudades

A conversa fluiu como sempre.

“Eu preciso de você” confesso.

“Eu estou aqui.” diz tentando me trazer conforto.

“Não é o bastante, preciso de você do meu lado, preciso que você seja meu. Preciso daquele romance outra vez.” paro de falar antes que me arrependa das próximas palavras.

Segundos, eternos, de silêncio.

“Você sabe que eu quero o mesmo, mas isso nos faria mais mal de que bem. Nós já vivemos essa tortura...” escuto uma respiração pesada, como se ele sentisse dor. É claro que ele está sentindo dor! Disse a mim mesmo. “Mesmo que não fiquemos satisfeitos... é melhor assim.” Concluiu.

“Eu sei...” já podia sentir as lágrimas escorrerem em meu rosto.

Escutei um suspiro. “Mas como você esta?” perguntou tentando mudar de assunto. Pensei em mentir, dizer que estava tudo ótimo, que o problema era só a saudade, mas mentir jamais foi uma opção entre nós, a mentira nunca é uma opção quando se conhece alguém tão bem, mesmo que a mentira seja um simples Sim, está tudo bem.

Não tive coragem de responder, apenas respirei fundo, as palavras não saiam de minha boca.

“ O que foi meu amor?” a voz preocupada fez meu coração se apertar. Não precisei dizer uma palavra, minha paralisia diante da pergunta foi o suficiente.

Tomei coragem e comecei a falar sem parar, sem me dar a chance de freiar . “Estou sentindo um vazio... Não sei explicar. Mas é como se eu não conseguisse fazer nada, escrever nada, criar nada. Não rio, não choro, não me divirto... está tudo vazio”

“Você sempre foi o drama em pessoa” disse rindo leve e docemente, o som da risada me fez sorrir. “Você sabe que consegue fazer tudo isso, está tudo com você, sempre esteve. Você é quem está aprisionando tudo novamente.” A verdade estava me deixando mais quente, como se eu estivesse sendo abraçado.

Quem disse que a verdade dói estava enganado. A verdade estava me deixando confortável, feliz, confiante. “É por isso que eu jamais deixarei de lhe amar.” Pude sentir um sorriso do outro lado da linha.

“Nos amaremos até o fim, seja distantes, juntos, sorrindo, chorando, separados...”

“Sempre” dissemos juntos.

“Deveríamos ganhar o prêmio de melhor drama” disse.

“Nós concorrermos seria injusto com os outros” escutei mais um suspiro, dessa vez leve. “Boa noite meu amor.”

“Boa noite” respondi “Te amo”

“Sempre te amarei.”